I CONGRESO "OSVALDO A. REIG" DE VERTEBRADOLOGÍA BÁSICA 
Y EVOLUTIVA E HISTORIA Y FILOSOFÍA DE LA CIENCIA

I CONGRESO "OSVALDO A. REIG" DE VERTEBRADOLOGÍA BÁSICA 
Y EVOLUTIVA E HISTORIA Y FILOSOFÍA DE LA CIENCIA

A PRODUÇÃO DO ANIL NO BRASIL COLONIAL

Márcia H. M. FERRAZ
Programa de Estudos Pós-Graduados em História da Ciência, Centro Simão Mathias de Estudos em História da Ciência, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil.

O anil pode ser obtido de plantas como a Isatis tinctoria e a Indigofera tinctoria, sendo a primeira, de vegetação fácil em climas temperados, produzindo o pastel. Fonte de riqueza de algumas regiões européias até o final do século XVI, o pastel foi chamado de "ouro azul". Ao final desse período, o pastel dá lugar ao azul obtido de diversas espécies de Indigofera, provenientes da Índia. Nas Américas a tinta era produzida pelos nativos em diferentes regiões. Enquanto em algumas partes os colonizadores procuraram aprender a técnica de produção da tinta azul, no Brasil a presença da planta, nativa na costa brasileira, parece não ter despertado, até finais do século XVII, a atenção dos portugueses. Apenas um século depois, se verifica a preocupação em publicar textos em que se discutia a preparação do índigo, como é o caso de O Fazendeiro do Brasil. Ainda que memórias, como as de Alexandre Rodrigues Ferreira tenham se ocupado em discutir o assunto, muitos dos trabalhos não foram publicados em sua época. No texto O Fazendeiro do Brasil, encontramos desde recomendações sobre a forma de se plantar as diferentes espécies e construir as fábricas, até algumas explicações químicas para o processo de produção do anil. O auge da produção no Brasil aconteceu em finais do século XVIII quando várias centenas de fábricas se encontravam em funcionamento, principalmente no Rio de Janeiro, mas, também na Bahia e no Pará. Chegou-se a exportar, em alguns períodos, cerca de 100 toneladas do produto, o que supria as necessidades das fábricas portuguesas de tecidos e, ainda, sobrava para a reexportação. Nos primeiros anos do século XIX, o comércio do anil brasileiro passa a declinar, pois não consegue competir com a produção indiana, promovida pela Inglaterra, que chegava aos mercados por preços menores. Além disso, o produto brasileiro estava desacreditado devido às constantes reclamações de adulteração e má qualidade. Este trabalho está fundamentado em Projeto Temático financiado pela FAPESP.

 
 

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